Quando investigar?

O casal infértil é aquele em que a mulher com ciclos menstruais regulares (intervalo entre as menstruações inferior a 45 dias) não consegue engravidar no período de um ano tendo de 2 a 3 relações semanais. Um casal normal teria de 92% a 100% de chances de engravidar neste período. Para pacientes acima de 35 anos aguardamos até 6 meses antes de iniciar a investigação e para pacientes acima de 40 anos a investigação é imediata quando se tem a intenção de engravidar.

Causas

As causas da infertilidade podem ser de origem feminina, masculina ou de ambos (20% dos casos). Desta forma sempre é necessária a investigação do casal mesmo que um dos cônjuges tenha sabidamente alguma doença que limite a fertilidade ou que o parceiro já tenha filhos de outros relacionamentos. A origem da infertilidade pode ser relacionada a problemas na ovulação, dificuldade para o encontro do óvulo com o espermatozóide nas tubas uterinas (trompas), obstáculos para fixação do embrião no útero (pólipos, miomas, aderências, malformações) e alterações com o espermatozóide (número, movimentação e formato).

Diagnóstico

O diagnóstico da infertilidade é realizado através da história do casal (tempo de infertilidade, hábitos, antecedentes, relacionamentos anteriores, cirurgias, entre outros), exames de imagem, espermograma, dosagens hormonais e sorologias. A quantidade e os tipos de exame devem ser adequados a cada caso. A somatória dos exames, da historia clínica e da expectativa de cada casal irá determinar o melhor plano de tratamento.

Estimulação ovariana/Coito programado

Tratamento para pacientes que apresentem infertilidade causada apenas por uma dificuldade para ovulação (sugerido por intervalo longo entre as menstruações). A síndrome dos ovários policísticos é sua causa mais comum. A estimulação pode ocorrer através de medicação por via oral ou injetável (intramuscular ou subcutânea). Sempre deve ser realizado acompanhamento com ultra-som simultâneo à medicação para se acertar a dose mais apropriada a cada paciente e evitar uma hiperestimulação. Quando os óvulos atingem o tamanho recomendado é orientado o melhor período para se ter relações visando à gestação.

Inseminação Intra-Uterina

Este tratamento envolve estimulação ovariana com quantidades reduzidas de hormônio visando a produção de 1 a 2 óvulos. Quando os óvulos atingem a maturidade é colocado o sêmen processado em laboratório diretamente dentro do útero encurtando seu caminho natural até o óvulo. A fecundação deve ocorrer nas trompas (ou tubas) uterinas. É indicada para casais que tenham como causa de infertilidade uma dificuldade para ovulação (sugerido por intervalo longo entre as menstruações), e/ou alteração do sêmen leve a moderada. Dura aproximadamente duas semanas.

Fertilização in vitro (FIV/ICSI)

Tratamento que envolve a fecundação no laboratório. A FIV, abreviação de fertilização in vitro, pode envolver a fecundação espontânea do óvulo pelo espermatozóide (FIV clássica), ou pode ocorrer a injeção do espermatozóide dentro do óvulo, a chamada ICSI. O tempo de tratamento para um ciclo de FIV/ICSI pode variar de 2 a 4 semanas de acordo com o protocolo escolhido. Consiste em estimulação da ovulação, aspiração dos óvulos, fecundação e transferência dos embriões. É indicada para casais que não tiveram sucesso na inseminação, para casos de doenças nas tubas uterinas (trompas) ou para casos de alteração importante no espermograma. Permite a detecção de determinadas doenças genéticas antes da transferência de embriões.

Preservação de Fertilidade

A incidência crescente dos casos de câncer em população em idade reprodutiva (4% dos casos dos EUA) ou na infância e a melhora nas taxas de cura e sobrevida livre de doença têm elevado a busca por técnicas de preservação da fertilidade. Já temos à disposição na prática clínica o congelamento de espermatozóides, de embriões e de óvulos com diversos relatos de gestação posterior. Porém o congelamento de tecido ovariano ainda se encontra em fase experimental.

Ovodoação

Para pacientes que não dispõe mais de óvulos devido à idade, para aquelas em que a chance de gestação com óvulo próprio é muito restrita ou mesmo para aquelas que já tentaram muitos tratamentos com óvulo próprio sem sucesso existe a possibilidade da doação de óvulos. Esta deve ser anônima tanto de quem doa quanto para quem recebe. A doadora deve ter características compatíveis com a receptora.

Útero de Substituição

Indicado para casos em que a paciente não possui o útero, que este apresente alguma alteração que seja incompatível com a gravidez ou que a paciente tenha alguma doença grave que seja incompatível com a gestação. O útero de substituição deve ser de parente próxima que tenha condições de ter uma gestação sem riscos para ela e para a criança.

Banco de Sêmen

Constituem uma alternativa para casais em que o marido não tenha espermatozóides, em casos de repetidos insucessos em FIV/ICSI em que a causa da infertilidade é masculina ou para mulheres que desejam engravidar e não possuem um relacionamento estável. É possível selecionar entre diversos doadores anônimos, características como tipo sanguíneo, tipo físico, hobbies e profissão para maior compatibilidade com o casal.